Eu sou Carlos Latuff, cartunista e fã ferroviário. O propósito desta página é compartilhar com os internautas uma seleção das melhores imagens produzidas durante minhas expedições ferroviárias. Os registros aqui publicados podem ser reproduzidos pelos interessados, com tanto que para fins não-comerciais de informação, citando a fonte (por gentileza). Sou também colaborador do sítio www.estacoesferroviarias.com.br, de autoria do pesquisador Ralph Mennucci Giesbrecht, a página mais completa da Internet sobre estações ferroviárias brasileiras.

domingo, 1 de novembro de 2009

Madeira-Mamoré: A Ferrovia do Diabo que come o pão que o diabo amassou (Parte 2)

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Algumas das tantas locomotivas abandonadas ao longo do trecho, encobertas pela vegetação.

Continuamos com nossa pequena incursão pelos trilhos da histórica Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, em Rondônia. Na primeira parte dessa visita, conhecemos um pouco da situação do pátio de manobras da ferrovia, bem no centro da capital Porto Velho. Saindo da estação e seguindo por pouco mais de 2Km, atravessamos o bairro Triângulo, o mais antigo da capital, as margens do Rio Madeira, cujas antigas residências e seus moradores trazem consigo a memória dos primórdios da ferrovia. Bairro pobre, de gente humilde, que se encontra sob ameaça de despejo. A Prefeitura Municipal de Porto Velho, tendo a frente o prefeito Roberto Sobrinho, alega a necessidade de remoção daqueles moradores em virtude das enchentes. No entanto, o motivo maior certamente se encontra no projeto "Igarapés do Madeira", onde a prefeitura pretende o remanejamento dos residentes para dar espaço a obras de urbanização. Por detrás destas palavras, se esconde uma velha estratégia bem conhecida das grandes cidades. Tirar os pobres da paisagem e escondê-los em algum bairro distante. Reproduzo aqui na íntegra, um informe da Comissão dos Moradores do Bairro Triângulo, publicado no site Rondônia ao Vivo, que explica bem essa situação:

Entender a formação da cidade de Porto Velho, é partir de uma compreensão de que, a cidade nasce com o surgimento das primeiras moradias irregulares construídas além dos limites e dos domínios da direção da E.F.M.M.

Como descreve o saudoso historiador e ex-deputado federal (Amizael Gomes da Silva), em sua biografia AMAZÔNIA PORTO VELHO, "Foi o surgimento, além dos limites de seus domínios, de uma favela de barracos construídas desordenadamente e que rapidamente crescia o número de moradores constituídos por ex-trabalhadores, empregados na construção da Ferrovia, seringueiros, pequenos comerciantes, estes últimos formados por portugueses, árabes, sírios, libaneses, judeus .... A Porto Velho Brasileira cresce vertiginosamente com os que chegam de todas as partes e com os moradores de Santo Antônio, que em número cada vez maior, mudam-se para a nova localidade".

Moradias essas erguidas sobe o que é hoje o BAIRRO TRIÂNGULO. Em quase um século de existência, esse bairro foi e está sendo moradia daqueles que foram os primórdios e seus remanescentes. Passados quase 98 anos a atual prefeitura, no exercício do então GESTOR ROBERTO SOBRINHO, vem ignorando a história e a formação econômica, cultural, social e política do AMADO MUNICÍPIO DE PORTO VELHO.

A toque de caixa, criou um projeto de desapropriação (Igarapés do Madeira), tudo, para justificar um dinheiro do PAC, o qual não está sabendo empregar e gastar. Sem consultar e debater com a comunidade, vem INVERTENDO, SABOTANDO a lógica e o princípio de AUDIÊNCIAS PÚBLICAS, beirando o ridículo de manipular assinaturas da população via reuniões, convites e palestras e não através de Audiências Públicas, como sua equipe vem noticiando.

Com a frase de cartilha (Porto Velho é meu lugar), vem expulsando famílias pobres de uma ocupação irregular no Bairro AIRTON SENA, jogando-as de barracos para a beira da rua, para em seus lugares construir AS CASINHAS DE POMBO, do PAC, metragem: [COZINHA 3.80X1.62; BANHEIRO 2.30X1.10; QUARTO1 3.30X2.70; QUARTO2 2.70X2.60 E SALA 3.40X2.90], que irá abrigar possivelmente parte da população do BAIRRO TRIÂNGULO, TIRANDO COM UMA MÃO E DANDO COM A OUTRA.

Na estratégia de colher assinaturas da população local, a dita equipe de trabalho, vem realizando encontros, seminários e reuniões que trazem temas como (LEI MARIA DA PENHA, DST E POLÍTICAS PÚBLICAS), tudo com a finalidade de RECOLHER AS TÃO PROCURADAS assinaturas da população na porta de entrada de cada evento, como uma única forma de obter legitimação via rubrica ou nomes, dando sustentação as fraudulentas "AUDIÊNCIAS PÚBLICAS" QUE NÃO ACONTECERAM.

Muito pelo contrário, a única, que poderia ser chamada pelo tal nome, quando iniciou, já se dava por terminada, frente ao descontentamento de muitos participantes que lá estavam indignados com as propostas absurdas colocadas pela organização do evento.

A sede para essa reunião foi a Faculdade São Lucas, Centro do Menor, diga-se de passagem, longe e fora do Bairro Triângulo, totalmente distante da maioria da população. Assim vem se desenhando e empurrando goela abaixo o PROJETO IGARAPÉS DO MADEIRA, sem a participação da maioria, sem os debates necessários para o amadurecimento do projeto e sem a aprovação da população.

O atual projeto da prefeitura não é aquilo que se anuncia nos meios de comunicação e nas cartilhas petistas. O diálogo do prefeito com a comunidade nunca existiu. Embora diga que a comunidade não quis os três debates do projeto, essa não é a verdade, o que os moradores do BAIRRO TRIÂNGULO não aceitaram foi a convocação de "AUDIÊNCIAS", apenas de modo formal, sem garantir a participação objetiva e sem consultar a comunidade.

Cabe registrar aqui que os pseudo apartamentos de estilo (CASA DE POMBO), sem infra-sestrutura necessária, "digna de se morar", não imitam nem de longe uma parcela significativa de muitas residências que hoje gozam de grande infra-estruturas, amplas áreas, cercadas pela natureza e a exuberância do tão admirado e amado RIO MADEIRA.

FRASE DE FREI LUIZ CAPPIO

"QUANDO A RAZÃO SE EXTINGUE, A LOUCURA É O CAMINHO"

Frase dita contra as pressas do Governo Lula em levar nas coxas o Projeto de transposição do Rio São Francisco.


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Aspecto de uma das residências humildes, erguidas as margens da ferrovia Madeira-Mamoré, ameaçadas de despejo pela prefeitura de Rondônia.


O detalhe da placa, acima a direita: "Não sinta inveja de mim. Não sou rico. Apenas trabalho".



Aspecto das históricas residências do bairro Triângulo, onde a maioria de seus moradores é composta de pioneiros que trabalharam na ferrovia e seus descendentes.


Carcaças de antigas locomotivas também fazem parte da paisagem.

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