Eu sou Carlos Latuff, cartunista e fã ferroviário. O propósito desta página é compartilhar com os internautas uma seleção das melhores imagens produzidas durante minhas expedições ferroviárias. Os registros aqui publicados podem ser reproduzidos pelos interessados, com tanto que para fins não-comerciais de informação, citando a fonte (por gentileza). Sou também colaborador do sítio www.estacoesferroviarias.com.br, de autoria do pesquisador Ralph Mennucci Giesbrecht, a página mais completa da Internet sobre estações ferroviárias brasileiras.

sábado, 24 de outubro de 2009

Madeira-Mamoré: A Ferrovia do Diabo que come o pão que o diabo amassou (Parte 1)

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Locomotiva de número 18 estacionada próximo a estação de Porto Velho.

A convite do Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos (CEBRASPO), passei 7 dias na companhia de lavradores nos acampamentos da Liga dos Camponeses Pobres, no interior do estado de Rondônia. No retorno para o Rio de Janeiro, não podia deixar de visitar, mesmo que rapidamente, o pátio da estação de Porto Velho, da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré. Porque viajar a Rondônia e não ver a ferrovia, é o mesmo que ir a Roma e não ver o papa.

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Aspecto atual do antigo edifício da administração da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré.

Inaugurada em 1912, a Estrada de Ferro Madeira-Mamoré foi resultado do Tratado de Petrópolis, acordo entre Brasil e Bolívia que resolveu disputas territoriais na região onde se situa o estado do Acre. O Tratado previa, entre outras coisas, a construção pelo Brasil de um corredor ferroviário de 366 Km ligando Porto Velho a Guajará Mirim, para facilitar o escoamento da borracha boliviana e brasileira. Dos 21.817 operários, de várias nacionalidades, contratados para essa empreitada, 1522 perderam a vida na selva amazônica, vítimas de malária, tiro e flechada. O fim do ciclo da borracha selou o destino da ferrovia, cuja importância foi minguando ao longo de 5 décadas, até que em 25 de maio de 1966 o então presidente Castelo Branco deu o golpe de misericórdia, decretando a extinção da "Ferrovia do Diabo".

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Aspecto atual da estação de Porto Velho.


Ruínas da usina de força.

Na minha rápida passagem pelo pátio de manobras da estação de Porto Velho encontrei diversas composições, a maioria sucateadas, algumas cobertas de vegetação.

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Ví também armazens, um girador de locomotivas, um galpão com peças, guindaste, ferragens, quase tudo abandonado. O lugar serve de playground para desocupados e drogaditos.

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O pátio da estação encontra-se em obras, e num dos tapumes pude fotografar um graffiti que diz "Sobrinho corrupto destrói a E.F.M.M.", em alusão ao prefeito de Porto Velho, Roberto Sobrinho. A palavra "Sobrinho" foi coberta com tinta branca, provavelmente por partidários do político.

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A princípio não ficou claro pra mim qual era exatamente o problema numa obra de revitalização desse importante patrimônio histórico. Mas pesquisando na Internet, me deparei com a página Defender - Defesa Civil do Patrimônio Histórico e a seguinte declaração da presidente da Associação de Preservação do Patrimônio Histórico do Estado de Rondônia e Amigos da Madeira-Mamoré (AMMA), Mayra Banchieri:

"O prefeito de Porto Velho, Roberto Sobrinho ao invés de restaurar a E.F.M.M, está reformando. Restauração e reforma são coisas totalmente diferentes, pois, com a restauração se recupera as peças por especialistas, enquanto que na reforma se substitui peças antigas por outras novas, fato que vem acontecendo no pátio da ferrovia".


O artigo vai mais além. Traz o depoimento de José Augusto, delegado federal aposentado e defensor do patrimônio histórico de Rondônia:

"É muito grave o processo de descaracterização do centro histórico de Porto Velho, reconhecidamente o mais homogêneo conjunto arquitetônico de origem norte-americano, destruído pelo atual prefeito de Porto Velho, com aval de instituições de Estado como IPHAN e GRPU"

José afirma que até um vagão pertencente ao acervo ferroviário foi emprestado para escola de samba Grande Rio em 1997 pelo ex-governador e atual senador Waldir Raupp. O vagão teria sido transformado em atelier de luxo em Brasília. E conclui:

"Roberto Sobrinho deve sair da prefeitura de Porto Velho, algemado e mandado diretamente para o presídio Urso Branco como criminoso comum..."


A íntegra do artigo pode ser lida no seguinte endereço: http://www.defender.org.br/prefeito-de-porto-velho-e-destruidor-e-aloprado/

A segunda parte de minha visita pode ser vista aqui: http://ferroviasdobrasil.blogspot.com/2009/11/madeira-mamore-ferrovia-do-diabo-que.html

Um comentário:

Brenda disse...

olha bom o q vc diz mais o q eu qria saber é''Qual a importancia da ferrovia E.F.M.M. para rondonia, amazonas e para o brasil"